Cuiabá,

sexta-feira, 19

de 

abril

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2024
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Brasil avança em primeiro, mas joga mal e irrita Dunga

A Seleção Brasileira fez o que precisava. O empate por 0 a 0 desta sexta-feira com Portugal, no estádio Moses Mabhida em Durban, pela última rodada da primeira fase da Copa do Mundo da África do Sul, garantiu o primeiro lugar do Grupo G. Mas a equipe jogou mal. Tanto que nem o técnico Dunga escondeu a irritação com o time.


Muito agitado no segundo tempo, o treinador gesticulou e gritou protestando principalmente contra os erros de passe e falta de produtividade do time. Discutiu no calor da partida, por exemplo, com o capitão Lúcio, o zagueiro Juan e o lateral Maicon. Ao apito final, ouviu vaias da arquibancada – não diretamente direcionada a ele, mas ao jogo fraco diante do que se esperava das seleções repletas de craques.


O adversário das oitavas de final será o Chile, segundo colocado no Grupo H. O Brasil alcançou a marca de sete pontos na liderança isolada do grupo E, avançando em primeiro lugar, conseguiu caminho – teoricamente – mais fácil até a final.


Dos principais candidatos ao título, apenas a Holanda, que pega a Eslováquia, deve ficar no lado brasileiro – possível encontro nas quartas. Uruguai, Coreia do Sul, Estados Unidos e Gana são as outras seleções que compõem o mesmo lado da tabela e são candidatos a um duelo na semifinal. Já o outro lado da chave tem gigantes do quilate de Argentina, Alemanha, Espanha e Inglaterra – os quais o Brasil só encontrará em uma eventual decisão final.


Antes de a bola rolar, uma surpresa: Dunga colocou Nilmar no lugar de Robinho. Depois do jogo, explicou que o titular sentiu dores musculares e foi poupado para a próxima fase. E, como já era esperado, escalou Júlio Baptista e Daniel Alves nas posições de Kaká – suspenso – e Elano – em recuperação de uma lesão no tornozelo.


Já o técnico Carlos Queiroz, que já tinha dado a dica na véspera que não considerava o empate um resultado ruim, radicalizou na escalação. Depois de jogar as rodadas iniciais no 4-3-3, colocou Cristiano Ronaldo isolado no ataque. Quando o Brasil tinha a posse de bola, Portugal se fechava todo, com marcação milimétrica. E explodia em contra-ataques sempre que conseguia.


Mesmo sem companheiros por perto na maioria das jogadas, Cristiano Ronaldo fez valer a fama de quem já foi eleito o melhor jogador do mundo e deu muito trabalho aos defensores brasileiros. Num momento de desespero, por exemplo, Juan percebeu que o craque ficaria na cara do gol e apelou dando um tapa na bola. Ganhou cartão amarelo.


Por outro lado, o principal atacante brasileiro, Luís Fabiano, teve poucas chances de balançar a rede – errou uma cabeçada de frente e sem marcação. E Nilmar correu bastante. Na melhor chance brasileira, chutou de pé esquerdo por trás da zaga após cruzamento, o goleiro Eduardo desviou de leve e a trave impediu a o gol.


Já Júlio Baptista não conseguiu fazer muito bem a função de principal armador das jogadas de ofensivas. Tocou mais a bola de lado e não conseguiu boas arrancadas. Nem chutes de longa distância, sua principal arma.


Também foi um jogo de lances ríspidos. Destaque especial para o duelo entre Felipe Melo e o brasileiro naturalizado português Pepe. Primeiro o volante da Seleção levantou o pé a centímetros da cabeça do rival, quer teve no caminho o braço atingido. Depois o grandalhão de Portugal revidou e pisou por trás no tornozelo do adversário.


Felipe Melo, muito nervoso, tentou em outro lance acertar Pepe por baixo. Ganhou cartão amarelo. Dunga percebeu que a história não ia acabar bem e sabiamente jogou a toalha. Substituiu ainda no primeiro tempo o volante titular por Josué.


Com a primeira colocação do Grupo G, o Brasil enfrentará o Chile na próxima segunda-feira, à s 15h30 – o duelo está marcado para Johannesburgo, no Ellis Park Stadium.


Primeiro tempo: pouco futebol


O primeiro tempo em Durban foi marcado pela tensão entre os jogadores, em especial Pepe e Felipe Melo, e por poucas oportunidades de gol para as duas equipes. Portugal, cuja classificação estaria ameaçada em caso de derrota, adotou uma conduta bastante defensiva, já que garantia sua passagem à s oitavas com um empate.


As poucas melhores chances foram do Brasil nos primeiros 45 minutos. Daniel Alves, em dois chutes de fora da área, foi o primeiro a testar o goleiro Eduardo. Os portugueses, em toda a etapa inicial, só ameaçaram com Tiago – após boa jogada de Coentrão, o meia arriscou com perigo da entrada da área.


Depois de Daniel Alves, foi a vez de outra novidade da Seleção levar perigo. Aos 29min, Nilmar recebeu cruzamento na pequena área e, de pé esquerdo, acertou a trave. Sete minutos depois, em jogada individual, deixou um português para trás com um belo drible, mas chutou muito longe do gol.


A principal oportunidade brasileira surgiu dos pés de Maicon, um dos mais elogiados até aqui na Copa. O lateral cruzou bem da linha de fundo e Luís Fabiano entrou livre, de cabeça, assustando os portugueses.


Segundo tempo: menos futebol ainda


Com o empate sendo suficiente para as duas equipes, brasileiros e portugueses adoram uma postura ainda mais conservadora no segundo tempo. Até as entradas ríspidas foram mais contidas.


Com Júlio Baptista muito recuado e a marcação portuguesa muito forte em todos os brasileiros, as poucas chances no segundo tempo foram contra a meta de Júlio César.


Aos 12min, após uma saída de bola errada pela esquerda, Simão recolheu e bateu de fora, exigindo defesa do goleiro brasileiro. Pouco depois, em contra-ataque, Cristiano Ronaldo arrancou, driblou Daniel Alves e Lúcio, que voltou com tudo desviou a bola de forma atrapalhada – de surpresa, Raul Meireles apareceu na pequena área e foi freado por uma defesa providencial de Júlio.


O lance assustou bastante os brasileiros, já que um pisão de Raul Meireles atingiu as costas de Júlio César. Antes do Mundial, o goleiro teve uma lesão lombar em amistoso contra o Zimbábue e até foi poupado diante da Tanzânia. Enquanto o médico José Luís Runco prestava atendimento ao brasileiro, foi possível notar uma proteção especial colocada sobre suas costas.


Com Ramires e Grafite na reta final, o Brasil ainda criou uma boa oportunidade. O ex-jogador do Cruzeiro puxou contra-ataque e bateu de fora da área. A bola por pouco não encobriu o goleiro Eduardo, que se esticou todo, colocando para escanteio.


FICHA TÉCNICA


Portugal 0 x 0 Brasil


Ponto Forte de Portugal
Marcação de todos os jogadores atrás da linha da bola, neutralizando todas as armas ofensiva do Brasil


Pontos Fortes do Brasil
Disposição em campo e a atuação razoável de Nilmar


Ponto Fraco de Portugal
Isolou Cristiano Ronaldo na frente


Ponto Fraco do Brasil
Controle emocional: entrou em jogo de provocações com os portugueses


Personagem do jogo
Felipe Melo, sacado antes do intervalo por desentendimentos com Pepe


Esquema Tático de Portugal
4-3-3
Eduardo; Ricardo Costa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Coentrão; Pepe (Pedro Mendes), Raul Meireles (Miguel Veloso) e Tiago; Danny, Cristiano Ronaldo e Duda (Simão)
Técnico: Carlos Queiroz


Esquema Tático do Brasil
4-2-3-1
Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva e Felipe Melo (Josué); Daniel Alves, Júlio Baptista (Ramires) e Nilmar; Luís Fabiano (Grafite)
Técnico: Dunga


Cartões amarelos
Portugal: Duda, Tiago, Pepe e Coentrão
Brasil: Juan, Luís Fabiano e Felipe Melo


Árbitro
Benito Archundia (México)


Local
Moses Mabhida, em Durban

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