Olhar Esportivo - Silvio Santos Jr vai narrar futebol americano em CBA



 O jornalista comemora os avanços do esporte e considera desafios importantes para o crescimento do FA no Brasil

O Desafio Centro-Oeste de Futebol Americano ocorre neste sábado (02/03), às 18h, no Estádio Dutrinha. O confronto entre Cuiabá Arsenal e Tubarões do Cerrado, equipe de Brasília, terá como narrador o jornalista esportivo, especializado em Futebol Americano, com 6 anos de experiência na cobertura da NFL, a liga de futebol americano profissional dos EUA, Silvio Santos Junior. Ele virá especialmente para o evento que faz parte da preparação do Arsenal para o Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, que começa em agosto. Os ingressos antecipados, ao curso de R$ 10, já estão à venda na Livraria Janina e Academia AFC.

Para Silvio Santos, o Futebol Americano praticado em Mato Grosso sempre foi uma força dentro do cenário nacional, tanto dentro quanto fora de campo. “O Cuiabá Arsenal, equipe bastante competitiva, ganhou dois títulos nacionais e diversos outros campeonatos e desafios. Fora de campo, a organização da diretoria e o envolvimento da cidade de Cuiabá sempre foram referências para o crescimento do esporte no Brasil”. Além do Arsenal, o jornalista elogiou o Sinop Coyotes, outra equipe do MT, que tem se destacado.

FA no Brasil

O jornalista avaliou de forma bastante positiva o crescimento da modalidade como um todo no país. Hoje, são mais de 100 equipes em território nacional que atuam nas mais diferentes modalidades do esporte. “Vivemos um momento sem precedentes, o que para mim não é novidade”. Ele conta que nos idos de 1999 e 2000, ao lado de um punhado de outros entusiastas, começou a jogar futebol americano em São Paulo. “Eram os primórdios da internet e, mesmo assim, já conversávamos com jogadores no Rio de Janeiro e em outras regiões. Lembro-me de recebemos em SP um destes apaixonados de Cuiabá, Orlando Junior, que algum tempo depois fundaria o Cuiabá Arsenal. Ele foi um dos responsáveis por difundir o esporte em MT e incentivar o crescimento em diversas outras regiões”, lembra.

Silvio Santos diz ter acompanhado atentamente ao desenvolvimento do esporte desde 2000, o que lhe dá condições de falar com propriedade sobre o FA. Ele conta que um dos fatores mais importantes para a disseminação do esporte está na transmissão das partidas pela televisão. “Tanto a ESPN quanto o BandSports sempre apoiaram o futebol americano no Brasil e, quando a organização do esporte melhorou, a cobertura aconteceu. Com mais espaço na TV houve o surgimento de mais interessados pelo jogo e, com isso, mais pessoas dispostas a jogar. “Desde então, a prática explodiu e, felizmente, vivemos um cenário bastante positivo e promissor”.

Equipes brasileiras

O especialista também falou sobre o nível das equipes que considera excelente. Segundo ele, no início de 2000 os jogadores usavam camiseta e shorts e até encontrar uma bola de futebol americano era missão impossível, só se ela fosse trazida dos Estados Unidos. Hoje, quase todos os equipamentos são encontrados no Brasil. Além de um crescente número de jogadores brasileiros, há uma constante adesão de vários americanos - técnicos e ex-jogadores universitários, colegiais e de ligas profissionais menores - dispostos a apoiar o crescimento do esporte nacional. “Embora exista uma grande participação de estrangeiros no esporte, os brasileiros não deixaram a peteca cair. Vamos jogar a próxima Copa do Mundo de FA com atletas nossos, quer notícia melhor que essa?”.

Entre os nomes que fizeram e fazem a diferença no Brasil, ele citou três: o técnico da Seleção Brasileira, Dan Muller; o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), Flavio "Vanilla" Skin, responsável por aproximar o Brasil da International Federation of American Football (IFAF) e por colocar o país no mapa mundial do esporte; além do próprio Orlando Junior, de Cuiabá, que trabalhou incansavelmente nos bastidores do esporte, especialmente no que tange a gestão e desenvolvimento. “Ele trouxe a experiência profissional de alto executivo e  ​pavimentou o terreno para "semiprofissionalização" do esporte no país. Estes são alguns exemplos, dentre tantos outros, que deram sangue, suor, lágrimas e muito dinheiro do próprio bolso pra fazer isso acontecer”.

Futuro

​“O esporte só tende a crescer”, disse Sílvio Santos. Para ele, dentro de campo é possível perceber cada vez mais atletas dedicados e que fazem da bola oval uma razão de viver. As equipes estão mais organizadas e, aos poucos, percebem a importância de uma gestão ‘profissional’. O espaço para ‘equipes de fim de semana’ e ‘dos chinelos na lateral’ está cada vez menor. “O esporte vai evoluir! Em alguns momentos em ritmo mais acelerado em outros mais comedido, mas continua a evoluir”.

O narrador compara a evolução do FA com o desenvolvimento do ser humano. “Sofreremos com as dores do crescimento, principalmente, porque o boom do futebol americano tem atraído muitos investidores​ que nem sempre sabem o que estão fazendo e, aprender como "jogar ​​o jogo dos negócios" é crucial para o desenvolvimento do esporte no Brasil, da mesma forma que aprender a jogar dentro das endzones. Para que o esporte cresça e solidifique, o desenvolvimento é fundamental em todas as frentes, em especial fora de campo”.

Sobre Silvio Santos Junior

Jornalista esportivo especializado em Futebol Americano, com 6 anos de experiência na cobertura da NFL, a liga de futebol americano profissional dos EUA, na TV onde atuou como comentarista e apresentador. Como repórter cobriu vários campeonatos nacionais em diferentes estágios da evolução do esporte no país. Ainda no Brasil, narrou dezenas de partidas, em Campeonatos Nacionais e Regionais, em praticamente todos os estados que praticam o esporte: AM, PE, MT, RJ, DF, SP, PR. Dentro de campo, foi um dos pioneiros na prática da modalidade, começando a jogar no início de 2000 em São Paulo onde participou de vários campeonatos locais.

Por: Caroline Pinnow