Basta haver um Brasil x Argentina, em qualquer modalidade, para que as torcidas cantem e agitem bandeiras, os corações se acelerem, a pressão arterial se eleve, mãos fiquem suando frio e até estádios ou arenas tremam. Pode ser assim no Rio, em Buenos Aires, em São Paulo ou em Rosário. Em qualquer dos dois países, ou mesmo em uma cidade neutra, como a de Toronto, no Canadá, onde a seleção brasileira feminina de handebol superou a Argentina por 25 a 20, assegurando o pentacampeonato nos Jogos Pan-Americanos. Campeã mundial em 2013, a equipe brasileira venceu o torneio feminino de handebol em Winnipeg-1999, Santo Domingo-2003, Rio-2007, Guadalajara-2011 e Toronto-2015.

Participante em quatro das cinco vitoriosas campanhas brasileiras, a ponta Alexandra Nascimento, que foi a melhor do mundo em 2012 e ajudou na conquista do Mundial de 2013, foi a artilheira da vitória brasileira nesta sexta-feira à noite, com seis gols.

- Nós sabíamos que com a Argentina a final não seria fácil. Sabíamos que elas viriam para matar, como vieram. No segundo tempo, conseguimos mostrar o handebol do Brasil, que é um handebol alegre - declarou ela. - Este pentacampeonato pan-americano nos motiva para as futuras competições. Já estávamos classificadas para o próximo Mundial (5 a 20 de dezembro, na Dinamarca), mas para nós era questão de honra conquistar esta medalha. Como o Morten diz, nós temos de fazer por merecer estar aqui. Temos de respeitar as que gostariam de estar aqui mas não estão e os nossos fãs. É incrível entrar na quadra e ver 90% da torcida sendo brasileira.

Foi mesmo uma final de abalar corações e estruturas de arenas, em especial na primeira metade das ações. Apesar do favoritismo das brasileiras, foram as argentinas quem começaram melhor. Mais ligadas na defesa, contando com a bola goleira Valentina Kogan, e perigosas nos contra-ataques, elas deixavam claro que haviam estudado detalhadamente o Brasil. Tirando proveito disso, abriram 4 a 1 e 6 a 2, antes de o técnico do Brasil, Morten Soubak, pedir tempo. Mesmo após as instruções e broncas do treinador, a equipe parecia não se encontrar e tinha muita dificuldade em penetrar na linha de marcação adversária.

A Argentina chegou aos 8 a 5, e foi a vez de seu técnico, Eduardo Peruchena, parar a partida para dar instruções. Liderado por Alexandra Nascimento, o Brasil igualou em 8 a 8, em gol de Amanda Andrade, aos 19 minutos, e passou à frente em 10 a 9, com tamires, aos 22 minutos do primeiro tempo. Foi a únia oportunidade em que a seleção verde e amarela se viu liderando a contagem. Após igualar em 10 a 10, a Argentina fez 12 a 11, mas o Brasil empatou em 12 a 12, no fizinho da primeira etapa.

- No primeiro tempo, entramos um tanto desconcentradas na defesa, que é o nosso ponto forte. No segundo tempo, melhoramos nossa defesa. O Morten (técnico) falou muito no intervalo, e voltamos no segundo tempo dispostas a mostrar que nós somos as campeãs mundiais - afirmou Jéssica, após a partida.

A equipe azul e branca retornou primeiro à quadra após intervalo, já que seu treinador deve ter ficado satisfeito com o desempenho tático de seu time. Já o treinador brasileiro levou mais tempo motivando a equipe e corrigindo suas falhas. Reiniciado o jogo, entrou em quadra um novo Brasil, o do campeonato mundial. Intransponível na defesa, a seleção campeã mundial soltou seu jogo, com Ana Paula distribuindo bem a bola e Alexandra Nascimento, Deonise e Fernanda concluindo com acerto. O Brasil chegou aos 19 a 12, com 8 minutos da segunda etapa da decisão, mesmo depois de o time rival ter pedido tempo.

Não é que a Argentina tenha desistido de lutar. Correu e se doou muito. Mas com a defesa, criação e ataque funcionando bem, o Brasil era muito superior. Não dava oportunidades às adversárias. Com 15 minutos de segundo tempo, a equipe argentina seguia zerada nessa etapa, parando nas mãos da goleira Mayssa. A comissão técnica pediu tempo, mas o que se via era um show de samba diante do tango. Aos 48 da segunda etapa, o Brasil já ganhava por 22 a 12. A seleção da Argentina só saiu do zero aos 19m38s do segundo tempo, quando Ele Karsten marcou. Àquela altura, com o placar em 23 a 13, o pentacampeonato já estava encaminhado em favor do Brasil, e só faltava a cerimônia de entrega de medalhas.

Após a cerimônia de pódio, Fernanda fez questão de lembrar de companheiras que não puderam estar no Pan pelos mais diversos motivos, como Duda Amorim, a melhor do mundo em 2014; Fabiana Diniz, a Dara; Mayara; e Dara.

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- Todas fazem falta. São como as pérolas de um colar. Se faltar uma, fica incompleto - disse Fernanda, em seu segundo Pan. - O que eu sei é que quero uma medalha no próximo Mundial. Confio no meu time. Se não fossemos lá para buscar medalha, ficaria de férias.

Carioca, participante do projeto esportivo na Vila Olímpica Manoel Tubino, no Mato Alto, em Jacarepaguá, Tamires realizou o sonho do primeiro título logo em seu primeiro Pan.

- Estou muito feliz. Sou a mais nova do grupo, com 21 anos, e já ganhei meu primeiro título. Eu soube aproveitar a confiança que o grupo me passou, e o importante é ter ajudado o Brasil - comentou a jovem, que é atleta militar da Aeronáutica.

 

Por: Olhar Esportivo