Foto: Crédito Alexandre Vidal, Marcelo Cortes e Paula Reis / Flamengo


Como será o futebol após esse período de pandemia é algo que não conseguimos responder com tanta precisão. Na Europa o primeiro campeonato a retornar, adotando todos os protocolos, foi o alemão. Jogos sem público, com redução de pessoas envolvidas nas partidas e jogadores com o físico de início de temporada, normal pelo tempo parado.

Mas e fora do campo, como será a vida dos clubes financeiramente, principalmente no Brasil?

Analisando o balanço dos clubes em 2019 começamos a perceber mudanças nos chamados “grandes” do futebol brasileiro. Vasco, Fluminense e Botafogo estão em situação pré-falimentar e começam a ver clubes como Athletico, Bahia, Goiás, Fortaleza e até mesmo o Ceará a ocuparem o espaço que era deles.

O Athletico foi o clube que teve o maior superávit no futebol brasileiro em 2019, impulsionado por títulos e vendas de atletas que colocam hoje o clube de Curitiba entre os favoritos a títulos na Série A. Bahia, Fortaleza e Goiás já não brigam para cair e começam a se consolidar na Série A.

Além dos três times do Rio de Janeiro, Cruzeiro (rebaixado) e Atlético-MG aumentaram muito a suas dívidas e no caso do Galo que começa a sofrer com atrasos de salário já em 2020 e mesmo tendo o exemplo do seu rival, investe no time sem ter condições para isso, o que logo levará à implosão financeira de uma dívida que já ultrapassa os 700 milhões de reais.

A relação dívida-arrecadação diz muito nesse período. O Flamengo, por exemplo, apenas nos três primeiros meses teve uma arrecadação de 280 milhões, montante maior do que arrecadaram Vasco, Fluminense e Botafogo em 2019.

O Cuiabá Esporte Clube é um clube consolidado e que tem o patrimônio líquido positivo (não tivemos acesso ao balanço de 2019), o que pode ajudar o Cuiabá a se consolidar na Série B e sonhar com o acesso à Série A.

E nesse caso posso afirmar que hoje temos no máximo oito ou nove clubes da Série A com capacidade financeira de se manterem consolidados na principal divisão do futebol brasileiro, os demais serão substituídos por clubes organizados dentro e principalmente fora do campo. É o momento do Cuiabá crescer ainda mais e quem sabe já em 2021 começar a frequentar a Série A.

Isso vale para Mixto, Operário, Dom Bosco e os demais clubes, que controlando a sua dívida e investindo com pés no chão e dando as condições para um bom trabalho dentro de campo, teremos os clubes de Mato Grosso nas principais divisões do futebol brasileiro. 

Por: Professor Marcelo Neves