Foto: Equipe do Cuiabá que conquistou o acesso para a Série A - AssCom Dourado


Um jovem clube que ainda vai completar 20 anos no fim de 2021, porém com uma história singular e promissora, que em pouco tempo de vida, recoloca Mato Grosso na elite do futebol nacional.

O Cuiabá carimbou o seu passaporte para o Brasileirão, onde irá enfrentar ainda neste ano, na Arena Pantanal e por todo país, clubes como Atlético-MG, Flamengo, Fluminense, Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeiras, Internacional, Grêmio, entre outros.

O Olhar Esportivo preparou um texto com um pouco da trajetória do clube até chegar na divisão mais alta do Brasil.

SURGIMENTO E LICENCIAMENTO

Oriundo da Escolinha do Gaúcho, fundado em dezembro de 2001 pelo saudoso Luís Carlos Tóffoli, o “Gaúcho”, mas ingressado ao futebol profissional apenas em 2003, o Cuiabá Esporte Clube foi vitorioso em seu início de atividades e conquistou o bicampeonato mato-grossense, nas suas duas primeiras participações. Mas, sem sucesso nacionalmente e dificuldades financeiras após cinco anos de vida, o time foi licenciado em 2006.

RENASCIMENTO E HEGEMONIA

Em 2009, a família Dresch, proprietária da empresa Drebor Borrachas, que já era patrocinadora desde o início na época das categorias de base, adquiriu de vez os direitos do Cuiabá. A partir daí, o “Dourado”, como ficou conhecido, passou a ter o objetivo de subir no cenário nacional, com um trabalho caro, árduo e desta vez, ininterrupto.

Logo veio o vice-campeonato da 2ª divisão estadual e consequentemente o acesso para 1ª divisão. Em 2011, há dez anos atrás, o Auriverde da Baixada começou a “falar mais alto”, com as conquistas do título do Mato-grossense e do acesso da Série D para a C do Brasileiro.

Com um bom investimento, compromissos em dia, estrutura aos atletas, a hegemonia no estado foi questão de tempo. O Cuiabá conquistou dois tricampeonatos estaduais nesta década – 2013/14/15 e 2017/18/19, além de duas Copas Verde, em 2015 e 2019. Ao todo, o time já tem nove títulos estaduais.

SÉRIE C: UMA VERDADEIRA FACULDADE

Na Série C, foram longas sete temporadas, de 2012 a 2018, com muitas dificuldades de logística enfrentando diversos times do Nordeste, trocas de elenco e treinadores anualmente, gastos que pareciam em vão, já que a terceira divisão não tem retorno financeiro com cotas televisivas. Uma espécie de faculdade particular com algumas reprovações, brigando contra rebaixamento e alguns alentos na parte de cima da tabela, até que veio a “formatura”, no ano de 2018, com o tão sonhado acesso à Série B, no comando do técnico Itamar Schülle.

SÉRIE B 2019: CURSINHO INTENSIVO

Em 2019, o Dourado realizou um “cursinho intensivo” na Série B do Brasileiro, com mais erros do que acertos nas contratações, mexidas no elenco e troca de técnico no meio da temporada – o ídolo Itamar Schülle por Marcelo Chamusca – experiente em acessos, mas que levou o time à oitava colocação da competição, mostrando que poderia chegar em um novo nível nacionalmente. Enfim, o “intensivão” da Série B fez bem, com a oitava média de público da competição e já com um dinheirinho de TV para investir.

DOURADO FORTALECIDO

Em 2020, já com a vaga direta nas oitavas de final da Copa do Brasil, por conta do título da Copa Verde de 2019, que gerou ao todo uma receita gorda para o Dourado na temporada – aproximadamente R$ 6 milhões com a passagem sobre o Botafogo-RJ para as quartas de final, o Cuiabá, mesmo em tempos de pandemia, seguiu com o aumento do investimento.

A comissão técnica foi mantida com Chamusca, atletas como o goleiro João Carlos, os volantes Auremir e Rafael Gava, o meia Elvis, e o meia-atacante Maxwell, atuais destaques do time, já vieram para o início do ano. Mesmo com diversas propostas, o capitão Anderson Conceição permaneceu. Tudo isso mesmo com apenas o estadual no primeiro semestre.

Houve também na transição de 2019 para 2020, significantes melhorias no Centro de Treinamento e nos amplos departamentos de futebol profissional, com um staff capacitado.

A paralisação do futebol em março, devido à Covid-19, gerou uma dúvida na cabeça de todos os futebolistas e da população mundial, mas a diretoria Auriverde manteve o elenco treinando à distância, sem redução salarial, com todo respaldo possível da comissão técnica, já visando o acesso para a Série A.

Mesmo com o futebol travado e sem perspectiva de retorno, contratações pontuais foram surgindo em meados de 2020, como algumas das informadas em primeira mão pelo site Olhar Esportivo, dos zagueiros Ednei e Everton Sena, dos atacantes Felipe Marques, Jenison, Yago e Felipe Ferreira, entre outros. Logo depois, vieram atletas como Lucas Ramon, Romário, Marcinho e Elton, o mais experiente do elenco, com 35 anos e sete acessos na Série B.

CAMINHADA E PERCALÇOS DO ACESSO

A Série B de 2020, que também invadiu o ano de 2021, foi com altos e baixos para o Cuiabá, mas com muito merecimento, sempre brigando entre os seis primeiros colocados, com a maior parte do tempo dentro do G4.

O Cuiabá chegou a liderar a competição por diversas rodadas no primeiro turno e ser considerado a sensação do futebol brasileiro. Ainda na época de Chamusca, vieram algumas derrotas seguidas fora de casa – Guarani-SP, Brasil de Pelotas-RS e Sampaio Corrêa-MA, além da divisão de foco disputando simultaneamente a Copa do Brasil, o que deixou torcedores e imprensa regional com um ar de incertezas. Haveria acabado o fôlego?

Se não bastasse isso, o técnico Marcelo Chamusca abandonou o barco em véspera das quartas de final da Copa do Brasil contra o Grêmio, para assumir o Fortaleza na Série A. Hoje ele nem está mais lá, ficou dois meses e caiu. Com algumas negativas de técnicos que eram prioridades da diretoria, foi contratado Allan Aal, que recém tinha sido demitido do Paraná. A princípio, o nome era abaixo da expectativa da maioria dos torcedores.

Em meio à certa turbulência, uma nuvem negra se instalava no Auriverde. Jogadores se machucaram e ficaram fora da temporada, como os zagueiros Everton Sena e Luiz Gustavo, além do lateral-esquerdo Lucas Hernandez. Outros que foram essenciais em momentos distintos da competição, também passaram por lesões na época da chegada de Allan Aal, como o lateral Lucas Ramon, os volantes Auremir, Matheus Barbosa e Rafael Gava, e o meia Elvis, atleta de maior regularidade na temporada, com 42 jogos.

A equipe deixou de jogar da forma vistosa que se via e nem sempre há descontos das dificuldades enfrentadas extra campo. Veio a primeira derrota dentro de casa logo na estreia do técnico pelo clube na Série B, contra o CSA-AL, concorrente direto ao acesso. Depois mais um revés, contra o Confiança, fora de casa. Até que Allan Aal conquistou a primeira vitória, em meio a surto de Covid-19 COM no elenco, diante do Avaí-SC, por 2 a 1, na Arena Pantanal.

Porém, com um certo equilíbrio entre perde, empata e ganha, o Dourado, mesmo com arisco e com formato retrancado, conquistou duas vitórias seguidas em dezembro, contra Oeste-SP e Operário-PR, que trouxeram a equipe de volta ao G4.

Com o retorno de alguns atletas no fim do ano, o time ficou mais encorpado e voltou a propor jogos. Em janeiro, venceu Juventude-RS, Guarani-SP e Paraná e empatou com a Ponte Preta-SP, conquistando 10 pontos em quatro jogos e se firmando de vez no grupo dos classificados.

Agora na elite, na Série A, com um aumento considerável de receita financeira, o Cuiabá terá que investir em jogadores, “mestrado e doutorado”, para continuar crescendo, se fortalecendo e conseguir manter Mato Grosso no topo do futebol nacional, após 35 anos sem essa tamanha representatividade.

FEITO INÉDITO

Após 35 anos, um clube mato-grossense retorna à primeira divisão do futebol nacional. A última equipe do Estado que disputou o certame foi o Operário Várzea-grandense, em 1986. Dom Bosco e Mixto já participaram em anos anteriores. Na época, a vaga era oriunda do campeonato estadual, seletivas regionais ou indicações.

Com isso, o feito do jovem Cuiabá é inédito, levando em consideração o formato com as três divisões de acesso – Séries D, C e B, por onde o time mato-grossense passou, além da Série A em pontos corridos.

Por: Pedro Lima / Da Redação


Membros da família Dresch, presidente do Cuiabá, Alessandro, empresário Manoel DREBOR, vice-presidente do Cuiabá, Cristiano e ex-presidente do Cuiabá e atual presidente da FMF, Aron, responsáveis pela ascensão do clube

Ex-atacante saudoso Luís Carlos Tóffoli, fundador do Cuiabá Esporte Clube em 2001 - Divulgação

Jogadores do Cuiabá em comemoração ao acesso na Arena Pantanal - AssCom Dourado

Arte: Olhar Esportivo