Foto: Pesquisa realizada na fase estadual dos Jogos em Água Boa - Foto por: João Felipe - Sece/MT


Uma pesquisa realizada durante as fases estaduais dos Jogos Escolares da Juventude está avaliando a relação entre a participação esportiva de jovens no ambiente escolar com indicadores de qualidade e melhoria do ensino. O estudo é desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Esporte e Exercício Físico (CIPEEF), da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e mostra que os índices de aprendizado nas escolas participantes da competição escolar são maiores que as médias estaduais e nacionais.

O apontamento foi apresentado em um dos relatórios parciais disponibilizado à Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), organizadora dos Jogos Escolares em Mato Grosso e apoiadora na execução da pesquisa.

Dentre os resultados expostos, o estudo revela que a média do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas de ensino fundamental participantes dos Jogos Escolares em 2016 foi de 4,77 – enquanto que média estadual era de 4,6 e a nacional, de 4,5. Já nas escolas de ensino médio participantes da competição, a média foi de 4,33 - também superior às pontuações do Estado e do país, que foram de 3,2 e 3,7, respectivamente. 

O projeto intitulado ‘A experiência e percurso da formação esportiva dos jovens atletas do Estado de Mato Grosso’ avalia as dimensões físico-antropométrica e psicossocial, além de informações socio-biográficas. A pesquisa busca conhecer as condições de atuação dos estudantes no esporte, oferecer informações para auxiliar professores/treinadores no planejamento dos treinos e compreender os efeitos da participação dos jovens no esporte ao longo do processo de desenvolvimento. A partir dessas informações será possível conhecer as condições de acesso ao esporte por modalidade, nos municípios e nas macrorregiões.

“Queremos saber quem é o estudante que pratica esporte em Mato Grosso, quais as condições para a prática desportiva, o percurso do desenvolvimento, suas motivações e os benefícios do esporte ao longo da vida. São informações que podem ser cruzadas e exploradas de diversas formas para subsidiar decisões na promoção de políticas públicas para o esporte em relação à demanda e ao impacto social, abrangendo inclusive áreas como educação e saúde”, explica Riller Silva Reverdito, coordenador geral da pesquisa. 

Nas dimensões físico-antropométricas, são coletados dados como altura, envergadura, peso, índice de massa corpórea (IMC), capacidade física e flexibilidade dos estudantes. E na dimensão psicossocial, os jovens atletas respondem a um questionário com informações que vão desde as dificuldades percebidas, os espaços e equipamentos disponíveis nos municípios, à estrutura familiar. 

A pesquisa também objetiva coletar informações que possam qualificar a prática esportiva, desde a organização da aula-treino à formação de treinadores-professores. Para isso, os pesquisadores acompanham o trabalho dos professores de educação física responsáveis pelas equipes escolares no evento esportivo.

Em quatro anos de desenvolvimento do projeto foram realizadas mais de cinco mil avaliações, incluídas coleta de dados físicos e entrevistas com estudantes, professores e árbitros.  O relatório final trará resultados de cinco anos de estudo. 

De acordo com Riller, o estudo dura alguns anos para que se possa ter uma sequência coerente dos dados mesmo que haja alterações nos grupos de participantes dos Jogos ao longo dos anos. 

“A população do Estado é extremamente diversa, temos regiões muitos diferentes. Em cada edição da etapa estadual dos Jogos Escolares podemos encontrar características específicas dos participantes. Já houve edição com participação de escolas indígenas, quilombolas ou de zonas rurais. É necessário observar e trazer dados de várias edições”, esclarece.

Para o secretário da Secel, Allan Kardec, os resultados do trabalho acadêmico-científico comprovam que investir no esporte é um investimento inteligente. “Já tínhamos uma percepção do quanto a realização dos Jogos Escolares era importante para a vida dos estudantes mato-grossenses e, com esse estudo sistemático, poderemos agora compreender e de forma objetiva as conexões positivas da prática esportiva no ambiente escolar”.

O projeto

Desenvolvido desde 2016, o projeto acompanha as equipes escolares durante as fases estaduais dos Jogos Escolares da Juventude das categorias categoria B (12 a 14 anos) e A (15 a 17anos). Também analisam os alunos-atletas das modalidades individuais da competição escolar. 

A equipe é formada por 15 pesquisadores, dentre graduandos, mestrandos e doutorandos de diferentes especialidades da educação física, como antropometria, fisiologia do exercício e pedagogia do esporte e de outras áreas do conhecimento. 

O projeto tem o apoio da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), Ministério da Cidadania via Secretaria Especial do Esporte e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT).

Contatos e informações

Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Esporte e Exercício Físico (CIPEEF) da Unemat 

Site: http://caceres.unemat.br/portal/cipeef/ 

E-mail: cipeef@unemat.br 

Telefone: (65) 3211-2833

 

Por: Da Redação com Secel - MT


Coleta de dados físico-antropométricas nos Jogos em Água Boa - Foto por: João Felipe

Coleta de dados físico-antropométricas nos Jogos em Água Boa - Foto por: João Felipe