A mato-grossense Ana Sátila Vargas, de 19 anos, natural de Primavera do Leste, conquistou, neste domingo, a primeira medalha da canoagem feminina brasileira nos Jogos Pan-Americanos. A façanha foi alcançada na prova de C1 (canoa individual) slalom, disputado em corredeiras.

Ana completou o percurso em 1min53s01, somadas as penalidades, impondo uma vantagem considerável de 18s42 sobre a norte-americana Colleen Hickey, segunda colocada. A canadense Haley Daniels faturou o bronze.

“Estou impressionada com a pista, é muito difícil. É um rio com curso natural bem mais forte do que aqueles nas quais estamos acostumadas a competir, até em circuito mundial”, disse a brasileira, referindo-se ao curso artificial construído no rio Gull.

O slalom consiste em descidas de caiaque por corredeiras, passando por balizas. Vence quem completa o percurso em menos tempo, somadas as penalidades.

A atleta treina no canal de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). A C1 não é a categoria preferida de Ana, que investe mais na K1 (caiaque), que é olímpica.

Em abril, a brasileira foi vice-campeã no K1 no Mundial Sub-23, em Itaipu. No ano passado, já havia sido campeã do Mundial Júnior, na Austrália.

Ana proporciona resultados precoces. Aos 16 anos, já conseguiu vaga para a Olimpíada. Em Londres, obteve a 16ª colocação.

A canoísta ingressou na seleção adulta logo no dia de seu 16º aniversário – só não entrou antes porque o regulamento não permite.

O comando da Seleção Brasileira de canoagem slalom foi assumido pelo italiano Ettore Ivaldi em novembro de 2011. Ele preparou canoístas de seu país para os Jogos de Sydney (2000) e Atenas (2004). A Itália conquistou três medalhas olímpicas nessas duas edições dos Jogos. Depois, reestruturou e comandou a Espanha, que passou em branco em Pequim. Nos últimos dois anos, treinou a Irlanda.

“É um treinador muito qualificado. Melhorei muito nesses poucos meses em que estou com ele. Estávamos focados só nos Jogos do Rio, mas fomos vendo que tínhamos chance de ir a Londres e resolvi acreditar”, afirmara Ana, na época em que conseguiu a vaga olímpica.

Antes, Felipe da Silva, ligado ao projeto “Meninos do Lago”, que inicia no esporte jovens de comunidades carentes de Foz do Iguaçu que moram nas imediações da Usina Hidrelétrica de Itaipu, conseguiu o bronze na C1. Em abril, Felipe chegou em terceiro no Mundial Sub-23.

Por: Olhar Esportivo