Foto: AssCom Dourado


A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), junto com a sua Comissão Médica e de Combate à Dopagem (CMCD), criou uma Comissão Médica Especial para a elaboração de um guia, em conformidade com as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde do Brasil (MS), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB), de maneira a servir como referência às Federações Estaduais e Clubes que participam das competições coordenadas pela CBF e pelas Federações filiadas.

O documento tem como objetivo sugerir a implementação de medidas de proteção para o retorno das atividades dos clubes do futebol brasileiro, seguindo rigorosamente as práticas de segurança e assistência para atletas, membros das comissões técnicas, funcionários e colaboradores.

“Considerando a excepcionalidade do momento atual em que o estado de pandemia, provocado pelo novo coronavírus (SARS-Cov-2), torna-se imperiosa a aplicação de cuidados nunca antes tomados para saúde da população. Por essa razão, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) elaborou este texto com medidas protetivas especiais para este momento da pandemia, destinado a orientar os médicos de clubes do futebol brasileiro acerca dos cuidados preconizados pelas autoridades de saúde, em todas as suas esferas nacionais e pela Organização Mundial da Saúde, após reuniões por videoconferência com mais de 140 médicos de clubes de futebol e representantes médicos de todas as Federações filiadas à CBF, além de vários infectologistas e epidemiologistas e outros colaboradores”, cita trecho do objetivo do guia.

Em 15 de março de 2020, a Confederação Brasileira de Futebol, avaliou o quadro da evolução da propagação do novo coronavírus no país e determinou a suspensão de todas as competições sob sua supervisão por tempo indeterminado.

Segundo o documento sobre o contexto do futebol brasileiro, este ano, deverão disputar os Campeonatos Brasileiros das Séries A, B, C e D, 128 clubes na categoria masculina e 52 clubes das séries A1 e A2 na categoria feminina além da Copa do Brasil masculina. Estes últimos três torneios (A1 e A2 feminina e Copa do Brasil) já estavam em andamento antes da suspensão dos jogos pela CBF.

Em um dos tópicos do guia, é citado que o atleta de futebol profissional é integrante de uma categoria em que a manutenção do condicionamento físico-técnico, com o uso de programa de treinamento específico, é essencial para a manutenção do status competitivo característico da profissão. “Longos períodos de inatividade física resultam numa considerável diminuição das capacidades físicas e fisiológicas, de alterações de humor e comportamentais. Sendo assim, um insuficiente período de treinamento traz significante risco de lesões e agravos à saúde do atleta.”

De acordo com trecho do documento, o futebol é uma modalidade esportiva que extrapola a sua atividade fim, é considerada a “paixão nacional” e está enraizada na cultura e no cotidiano da população brasileira, com participações em todas as regiões e classes sociais. A retomada das atividades do futebol brasileiro, tão logo a flexibilização do isolamento social pelas autoridades de saúde comece a vigorar, pode auxiliar principalmente na minimização dos efeitos psicológicos, resultante da necessária medida de distanciamento social decretada pelas autoridades.

O planejamento de retomada das atividades e jogos demonstra alguns tópicos de comportamento diante da pandemia.

• Orientar todos os atletas e os trabalhadores do clube para que lavem as mãos com frequência com água e sabão ou que usem álcool em gel 70% com regularidade;

• Utilizar etiqueta respiratória (cobrir a boca ao tossir ou espirrar, não escarrar ou cuspir no campo);

• “Etiqueta de cumprimento”: não cumprimentar as pessoas com aperto de mãos ou tocando-as;

• Usar máscaras e/ou protetores faciais de uso individual (face shields), principalmente em locais fechados, todos que não estiverem em campo em atividade física;

• Garantir maior frequência da limpeza das superfícies, equipamentos utilizados para as atividades físicas;

• Sugerimos não fornecer alimentos em padrão bufê, para evitar contaminação no momento de servir. Em caso de flexibilização pelas autoridades sanitárias locais, o funcionário do restaurante servirá os alimentos usando máscaras e luvas, e todos os indivíduos deverão utilizar máscaras e mantendo o distanciamento mínimo de 1 metro ao servir-se para a refeição;

• Realizar reuniões técnicas preferencialmente em locais abertos e bem ventilados, colocando os atletas com distância mínima de 1 metro entre eles; (28)

• Reforçar com os atletas para que adotem as medidas de prevenção (higienização de mãos, uso de máscara, etiqueta respiratória, nos seus domicílios e fora do clube) para proteger os demais membros do time, a si mesmos e, principalmente, sua família e a comunidade;

• Reforçar a orientação para que familiares e contactantes próximos avisem o médico do clube em caso de sintomas sugestivas de gripe para que sejam avaliados e orientados quanto à conduta, e encaminhados para o atendimento segundo as políticas de assistência à saúde, seja na rede pública ou na saúde suplementar.

“Para o sucesso desse planejamento é de suma importância haver uma consonância entre a Presidência do Clube e o Departamento Médico”, mostra o documento, que cita os departamentos administrativo, de futebol e de manutenção do local de treinamento.

Por fim, a sugestão de retomada de atividades é dividida em cinco fases, que visa organizar temporalmente as ações dos clubes: fase preliminar, fase de treinamentos individuais ou em pequenos grupos, fase de treinamentos coletivos, fase de competições e fase de acompanhamento.

Por: Pedro Lima / da Redação