Já se perguntou como os atletas de alta performance fazem para superar limites? Afinal, eles já têm um rendimento... alto. Uma equipe da Universidade Federal de Mato Grosso está buscando formas de fazer isso, inovando e renovando as expectativas para o esporte de alto nível em Mato Grosso.

Sob a liderança do professor Carlos Fett, da Faculdade de Educação Física, pesquisadores fazem estudos bem específicos e direcionados a dois ciclistas de Cuiabá. Sabendo que cada corpo trabalha de um jeito diferente, não dá para generalizar, se quisermos um resultado ótimo. Depois de coletar os dados e entender como cada corpo age, os pesquisadores podem elaborar dietas e suplementos ou treinos específicos para aquele atleta.

 

“Às vezes, é um aminoácido que está em excesso ali, e leva mais rapidamente à fadiga”. O exemplo do professor mostra que os resultados vêm nessas pequenas coisas, que só aparecem nos testes. Apesar de envolver tecnologia e inovação, as paredes brancas dos laboratórios são deixadas para trás neste trabalho. A realidade é bem menos glamorosa do que uma esteira em uma sala climatizada, e é nisso que a equipe baseia seu trabalho. Ao invés de coletar dados com os atletas em laboratórios, eles fazem isso sob o olhar do famoso sol cuiabano. Aliás, é essa a inovação: sair do laboratório.

 

Para alguém passeando, são dois ciclistas que pedalam pela universidade, talvez terminando de experimentar a nova ciclofaixa da capital. Para os atletas e os pesquisadores, uma chance de melhorar o desempenho físico nos pequenos detalhes. Na primeira parada, coleta de sangue e amostras. São elas que vão desenhar o mapa de cada um.

 

Segundo Fett, que baseia o pós-doutorado nessas investigações, “o atleta, na competição, não enfrenta as mesmas condições de um protocolo de laboratório”. A coleta em situações mais próximas das reais vai dar resultados diferentes, e ele adianta que muitos atletas olímpicos estão galgando os degraus rumo ao topo usando estudos desse tipo.

 

 Atleta profissional, terceira idade e amadores, todos juntos

 

O trabalho para gerar e aprimorar atletas de alto nível não é à toa. O momento é favorável, com tantos grandes eventos acontecendo no Brasil. Mas, mais do que isso, o esporte competitivo pode trazer mudanças sociais.

 

Carlos Fett explica que um atleta profissional atrai recursos não só para ele, mas para os que atuam em conjunto também. Como exemplo, temos os vários institutos financiados por estrelas dos esportes. E Mato Grosso, por vários motivos, não tem muitas estrelas. O pesquisador acredita que os atletas de ponta vão trazer recursos, que podem gerar mais atletas de ponta, trazendo benefícios para a população de uma forma geral. Mas ele ressalta também o papel da gestão para que a melhoria seja real,citando o exemplo recente das obras da Copa.

 

Essa pesquisa com os ciclistas faz parte de um projeto maior, o Procad, que, por sua vez, está inserido no Nafimes [Núcleo de Aptidão Física e Esportes]. O Núcleo tem sua história fortemente ligada com o curso de Educação Física da UFMT, tendo viabilizado a pós-graduação. Hoje, ele reúne pelo menos uma dezena de professores e se estabelece como um centro de referência.

 

Dentro do Núcleo, cada professor tem suas pesquisas seguindo por diferentes caminhos. Mas, mesmo assim, eles acabam se cruzando. Carlos Fett conta que a Educação Física envolve várias outras ciências, e uma situação não pode ser encarada de forma isolada. “Quando a gente fala de esportes, não podemos pensar mais em formação. A formação de educador físico, médico ou outro é um pano de fundo. O esporte é um elemento muito mais complexo, que precisa de pelo menos umas dez ciências para ser competitivo”.

 

Na mesma linha dos trabalhos feitos com os ciclistas, o professor está iniciando os estudos com um atleta da terceira idade. Afinal, nunca é tarde para se exercitar. Um veterano da Corrida de Reis promete ser o novo desafio, já que os resultados devem ser bem diferentes das novas gerações. Importante que se diga: os idosos encontram tanto espaço dentro do Nafimes, que já se planeja uma Universidade Aberta da Terceira Idade.

 

http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=728

Por: Daniel Morita