Durante os dias 2 e 13 de novembro, Cuiabá sediou a 64ª edição dos Jogos Universitários Brasileiros. Dentre os representantes de Mato Grosso no evento, alguns atletas são estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá. O estado finalizou a participação nos Jogos com um total de 10 medalhas, conquistadas com muito esforço.

O desempenho dos nossos atletas  deixou evidente o problema da falta de estrutura e suporte ao esporte universitário. Os atletas da UFMT, que especialmente nas modalidades coletivas precisam do apoio da universidade para obterem resultados melhores, sentem na pele como é não ter acesso nem ao mínimo necessário para realizar um treino de qualidade.

Quem já representou a UFMT outras vezes em competições, conhece muito bem a precariedade da instituição nesse aspecto. O basquete masculino foi treinado por uma aluna de mestrado, mas para competir nos no formato 3x3, o grupo teve que correr atrás de soluções fora da universidade.

“Nós treinamos no CIN. Como não temos dinheiro, a treinadora do time de lá fez o favor de nos ajudar. Só que para isso, nós tínhamos que ir até o CIN e treinar junto com o time dela. Conseguimos treinar apenas duas vezes antes dos JUBs”, contou Glauber Oliveira, que cursa Serviço Social e faz parte do time de basquete 3x3.

Aos meninos do basquete, o oferecido pela universidade foi apenas o pagamento da inscrição na competição. Outras despesas, como exames médicos obrigatórios e uniformes, saíram do bolso dos jogadores. Quem também teve que abrir a carteira pelos atletas foram os treinadores do time de futsal feminino.

Eder Mattos treina a equipe por amor ao esporte, já que a universidade não oferece a ele nenhum retorno financeiro. Para defender Mato Grosso no futsal, algumas atletas vieram de cidades do interior para competir. Eder e Renner Silva, outro treinador do time, arcaram com despesas de alimentação e suplementação das atletas, dentre outras coisas básicas.

“Nós tivemos que treinar na quadrinha do Boa Esperança, porque não deixam a gente usar o ginásio”, comentou uma a jogadora Jéssica Rodrigues. O uniforme da equipe foi pago pelas atletas, que driblando as dificuldades conquistaram uma medalha de prata.

Falta de material esportivo e espaço adequado de treino faz parte da lista de reclamações. Muitas vezes, os times precisam dispor de materiais de uso pessoal e se espremer nas quadras externas da UFMT, ou treinar em outros lugares, nem sempre melhores, já que o acesso ao ginásio da universidade é frequentemente negado.

Para a preparação do handebol masculino, o técnico até conseguiu algum dinheiro com a universidade um mês antes dos JUBs para comprar os uniformes, porque até então os usados pelo time eram emprestados da Faculdade de Educação Física, e também para comprar algumas bolas.

“Nós treinamos nas quadras externas, sem condições para um bom preparo. São muito pequenas e as bolas são muito ruins.” contou Otávio Rondon, estudante da UFMT que disputou o handebol.

Otávio e alguns outros jogadores treinam em equipes que jogam a Liga Mato-grossense de Handebol. A falta de investimento no esporte e no atleta universitário deixa os estudantes desmotivados a treinar na universidade e competir nessas condições.

Legado JUBs?

Enquanto alunos de outras instituições podem contar com uma ótima estrutura e bom acompanhamento profissional, nossos atletas seguem brigando pelo mínimo, que na realidade não é tão difícil de proporcionar. Uma universidade possui os recursos necessários para a resolução desse problema, dentro de seus muros. É possível, por exemplo, que alunos de nutrição trabalhem em conjunto com os atletas da universidade, realizando um trabalho que beneficie as duas partes.

A promessa para o próximo ano, é de que o meio esportivo da UFMT passará a receber uma atenção maior por parte da reitoria, oferecendo melhores condições aos atletas e também aos treinadores.

Apesar de querer acreditar em um futuro melhor para o esporte universitário, fica difícil depositar esperanças em um futuro que, considerando todo o histórico até aqui, parece apenas mais uma miragem.