O Tribunal de Justiça Desportiva de Mato Grosso (TJD-MT) deve julgar a denúncia do Clube Esportivo Dom Bosco contra o União na noite desta terça-feira (28). O Leão da Colina pede a perda de 34 pontos da equipe Colorada pela escalação irregular dos jogadores Calado e Kauan, durante toda a competição.

OPINIÃO

A denúncia apresentada pelo Dom Bosco é muito bem fundamentada (clique neste link caso ainda não esteja a par da situação) e o próprio advogado do União, Robie Bittencourt, admitiu ao site Cidade nos Esportes, que a situação do clube não é fácil.

Isto posto, mesmo que o Tribunal acate o recurso (o que muito provavelmente vai acontecer), não há como achar justo um time perder 34 pontos e ser rebaixado no lugar de uma equipe semiamadora como a do Operário FC.

A primeira fase do estadual chegou ao fim e ficou claro qual o nível dentro de campo de cada clube. Desportivamente falando, acredito que uma substituição entre União e Dom Bosco nas semifinais não alteraria o nível dos duelos, pois podemos separar os times em quatro prateleiras.

Cuiabá, Luverdense e Sinop na primeira (certamente o campeão será um dos três); União e Dom Bosco na segunda; Mixto e Operário na terceira; Araguaia e os rebaixados Cacerense e Operário F.C na última.

Ver um time tão bem treinado por Izazé Filho, que tem um presidente recém-eleito, jovem e aparentemente muito bem intencionado, Edicarlos Olegini, além de um clube que tem a segunda melhor média de público da competição; ser rebaixado no lugar de uma equipe que, com todo respeito, tem a única função de confundir a cabeça do torcedor mais desatento quanto a existência de ‘dois operários’, seria muito triste e desanimador para o futebol.

O que o União deve tentar

Ao que tudo indica, o Colorado tentará de todas as formas amenizar a pena, transformá-la somente em uma multa, ou, na pior das hipóteses, fazer com que o Colorado perca apenas seis pontos, argumentando que Kauan e Calado deveriam estar de fora somente de um jogo e por isso, cumprir-se a pena referente apenas a vitória de 1 a 0 contra o Araguaia, no Zeca Costa.

Isso já seria catastrófico para os planos de Série D do União, mas pelo menos evitaria o rebaixamento. A lei, mesmo que cumprida, nem sempre é justa e é esse exatamente o caso desse imbróglio envolvendo União, Dom Bosco e, por tabela, o Operário FC.

Azulão mal visto

É claro que o Dom Bosco passa a ser um clube odiado pelos rivais por recorrer tanto a área jurídica para conseguir seus objetivos. O fato é que, em 2015, o próprio Cuiabá E.C admitiu posteriormente o erro do então diretor Marcos Haneiko, mais conhecido como Tifu, no caso do jogador Michel.

Por mais que não tenhamos simpatia por esse tipo de prática e, no meu caso, ache absurdo que um Tribunal tenha tanto poder de decisão num campeonato, se nos atentarmos somente ao regulamento e a lei, o Dom Bosco estava certo em 2015 e tudo indica que está certo novamente agora em 2017. Cuiabá e União cometeram ‘deslizes’.

Caberá ao Dom Bosco, nos próximos torneios, tentar se desgarrar desses rótulos de ‘time do tapetão’, ‘Fluminense de MT’, ‘clube de escritório’, com boas participações na Copa FMF, estadual 2018 e, caso consiga, Série D 2018.

Um primeiro passo foi dado neste domingo, na espetacular reação de 0 a 3 para 3 a 3 diante do Cuiabá, numa atuação de uma equipe que parecia saber que o Mato-grossense 2017 não acabou ali.