O Luverdense é o grande destaque do noticiário esportivo de Mato Grosso nas últimas semanas, tudo por conta das sistemáticas ameaças do ex-presidente Helmute Lawisch de que o LEC não irá retornar ao futebol pós-pandemia. Isso significa um abandono ao estadual e à Série D, divisão nacional em que o clube se encontra pouco tempo depois de quatro participações consecutivas na Série B (2014-17).

Levar um clube com menos de 15 anos de fundação, de uma cidade pequena do interior de Mato Grosso, a figurar entre os 30 melhores times do país; feito que aconteceu em 2015 e 2016, é algo notório e que sempre será lembrado com o devido reconhecimento. Hoje, no entanto, toda comunidade esportiva de Mato Grosso precisa refletir sobre os motivos que levaram a uma decadência tão grande em três anos.

Helmute reclama de que há dívidas, de que o clube não encanta mais e que; 'se não querem que o Luverdense feche, venham ajudar'. A pergunta é, será que um dia encantou? Mesmo em seus anos de Série B, o Lec só conseguia mais de 50% de ocupação em seus jogos quando um grande ia visitar o Passo das Emas, mesmo o estádio tendo capacidade para 10 mil torcedores.

Mesmo em seus anos de auge, o Lec investiu muito pouco em ações de marketing, não criou sócio-torcedor e não fez uma boa comunicação com seu torcedor. Em 2016, o clube chegou a fazer um post no facebook atacando um perfil no twitter que divulgava o cotidiano no clube, no post há ainda uma confissão de incompetência, afirmando que o Luverdense só tinha página oficial no Facebook e admitindo que o Twitter estava desatualizado. Isso mesmo, um clube que estava em sua terceira participação seguida na Série B, não tinha Instagram, não atualizava seu Twitter e ainda por cima criticava aqueles que divulgavam o clube.

Este é apenas um exemplo de como o Verdão do Norte não trazia simpatia para si, num momento em que os resultados dentro de campo jogavam a favor. O maior erro da história do LEC foi não investir na sua própria imagem em seus anos de auge (2013 a 2017).

A esmagadora maioria das pessoas simpatizava com o Lec apenas por representar MT na Série B, uma novidade para a época. Hoje os mandatários reclamam muito que os patrocinadores foram embora, no entanto, na hora em que poderiam atrair mais simpatizantes, criar um sócio-torcedor, estimular Lucas do Rio Verde a abraçar o clube, nada disso foi feito. O problema do LEC foi confiar demais que o futebol é só dentro de campo. Com o rebaixamento para a Série C veio a perda de cotas televisivas, já com o acesso do Cuiabá para a Série B, os patrocinadores locais 'de peso' todos se voltaram ao Dourado, O LEC, se tivesse mais torcedores e personalidades engajadas com o clube, poderia remar com mais força contra essa 'maré de azar'.

Talvez o fato de ninguem querer ajudar, como o próprio Helmute insinua, atesta de que algo foi feito errado no passado. Porque ninguem iria querer ajudar um time com os resultados que o LEC conseguiu nos últimos anos? Não é segredo para ninguem que acompanha minimamente o noticiário esportivo de MT, de que Lawisch sempre se gabou, justamente eu acrescentaria, de seus feitos com o Verdão dentro de campo, porém não fazia qualquer questão de ser uma personalidade querida. Será que isso está jogando contra agora?

Por fim, faço um convite aos leitores que tem tempo disponível nessa pandemia. Compare as páginas oficiais de Luverdense e Cuiabá E.C no Facebook nos anos de 2014 a 2017, período em que um estava na Série C e o outro na Série B. Veja também como o Sinop F.C, clube que luta a cada temporada para se classificar para a Série D, também se esforça muito mais na relação com o torcedor do que o rival Luverdense.

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