Na tarde do ultimo sábado (26) o futebol de Mato Grosso perdeu não só a torcedora que se destacava por seu afinco a favor do Mixto Esporte Clube, perdemos um pouco da coragem de torcer, vontade de vencer, dedicação por uma paixão, dignidade e compaixão enfim, perdemos, aos 93 anos de vida, Maria Zeferina da Silva ou como era popularmente chamada Nhá Barbina.

A sua representatividade enquanto torcedora do Alvi-Nnegro é incontestável, o mais desavisado torcedor provavelmente já tenha ouvido ou até mesmo conhecido essa figura alegre, aguerrida e folclórica do nosso futebol. Para muitos "Aquela Senhora de Cabelos cor acaju fanática pelo Mixto", para outros, "Professora, majestade das arquibancadas" e para todos, exemplo de paixão por um time, pela camisa,  tradição e memória Mixtense.

Nhá Barbina se foi, mas seu legado será eterno, sua paixão pelo time do coração era tanta que a fez tornar unanimidade dentre os torcedores  até mesmo de times com os quais o Mixto mantém rivalidade histórica. Eu poderia escrever muito sobre a importância dessa torcedora para nosso futebol e, mesmo que gastasse todas as palavras possíveis, não seria suficiente para demonstrar o quão importante Barbina foi. Sua forma de torcer foi revolucionária, em tempos de segregados por machismo e paternalismo, comandou uma multidão de homens para incentivarem e apoiarem o Mixto, brigou, apanhou, bateu, sorriu, vibrou, ganhou e perdeu, mas o seu sorriso fácil no rosto não deixava dúvidas, foi feliz como queria e podia ter sido.

 

Muitos de nós podemos perguntar: Mas o que Nhá Barbina ganhou com isso?

Os mais céticos podem afirmar: "Ganhou desgosto, tristeza, falta de reconhecimento, desrepeito...". Contudo, sabemos que o torcedor de fato pouco se importa com o ônus de torcer, ele valoriza o prazer de acompanhar seu time até os últimos dias de sua vida, por isso, tenho certeza que Nhá Barbina se foi satisfeita em ter tido a oportunidade de apenas torcer pelo seu Alvinegro querido. Pois torcer não é uma opção, é vocação e quanto a isso, podemos ter certeza, a vocação de Nhá Barbina foi torcer pelo Mixto.

Por fim, não se faz exagero afirmar que Nhá Barbina foi além de viver, ela consegui fazer do Mixto um estilo de vida e personificar em sim um trecho do Hino Mixtense: “Seremos sempre unidos/ E sempre destemidos/ Havemos de lutar/ E também trabalhar/ De todo coração’’.







FOTO: MIXTONET