Cuiabá,

terça-feira, 16

de 

abril

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2024
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Yênes admite atraso nas obras

Um ano de muitos projetos, mas que poderia ter sido mais proveitoso. A avaliação é do presidente interino da Agência de Execução de Obras da Copa do Pantanal (Agecopa), Yênes Magalhães, órgão que controla as obras vinculadas ao Mundial no Mato Grosso e que, apenas em 2011, vai movimentar orçamento de R$ 750 milhões. Em entrevista ao site www.copa2014.org, Magalhães faz um balanço das ações realizadas este ano na Agecopa, fala das metas para os próximos meses e anuncia a assinatura de um contrato de gestão com os secretários estaduais com vistas a agilizar os projetos do Mundial.
Magalhães também revela que apresentará ao governador eleito Silval Barbosa uma nova proposta de composição da agência, que prevê mais fiscalização e agilidade no processo de aprovação e execução das obras.

Qual sua avaliação sobre o trabalho da Agecopa?

O que fizemos esse ano foi delimitar o escopo do trabalho necessário e centrar o foco na elaboração de projetos. Fizemos o planejamento estratégico, o orçamento para o próximo ano e contratamos os projetos. Os primeiros focos foram nos projetos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e hoje temos R$ 364 milhões para as obras das BRs 163, 364 e 070. São as obras com o maior volume de viadutos e trincheiras. Para o BRT (Bus Rapid Transit), em breve começa a ficar pronto o projeto básico para entregar à Caixa [Econômica Federal, que financiará o projeto]. O corredor será de pavimento rígido de concreto, que fica um pouquinho mais caro, mas em compensação você tem de 30 a 40 anos sem se preocupar com manutenção. Isso é um legado que vamos deixar para a cidade.

Quando a população começará a ver as obras nessas avenidas?

Março. Porque essas licitações, por mais que a gente as lance em janeiro, têm um prazo de 45 dias. Mas como são grandes obras, a gente sabe que a concorrência é acirrada e uma licitação dessas acaba levando 60, 120 dias.

Houve obras suspensas em Cuiabá.

Foram as obras de desbloqueio [intervenções para preparar a construção dos BRT]. Fizemos o projeto básico e licitamos as obras. Quem ganhasse faria o projeto executivo. Só que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) expediu uma instrução normativa dizendo que só poderíamos licitar com o projeto executivo pronto. Cancelamos as sete obras e agora partimos para licitar com o projeto executivo de todas.

O senhor já disse que os projetos poderiam estar mais avançados. Por quê?

No dia em que Cuiabá foi escolhida começamos essa frente de trabalho. Mas vou ser muito honesto. Posso dizer que os serviços poderiam estar adiantados, mas não é culpa da Agecopa. Se a prefeitura de Cuiabá, de Várzea Grande, se elas tivessem elaborado os projetos, a gente já teria executado. Por exemplo: o contrato com a Caixa Econômica está pronto. Já foi assinado. A Caixa está aguardando eu entregar os projetos, o que deve ocorrer em 20 de janeiro.

Como funciona a Agecopa?

Dividimos o caderno de encargos que apresentamos à Fifa em 28 projetos, divididos em seis diretorias. Inclui saúde, segurança, educação, mobilidade, financiabilidade, fanparks e centros de treinamento. Se fosse uma pessoa para comandar os 28, não seria fácil. Nos outros estados, o máximo que fizeram foi criar um secretário extraordinário, que não tem poder porque depende de todos os outros. Aqui não. Vamos assinar um contrato de gestão com todas as secretarias para cumprirem as metas estabelecidas.

A composição da agência vai mudar?

Estou apresentando ao governador duas propostas. Uma com seis e uma com sete diretores. A decisão final é dele. Tem uma série de ajustes que estamos fazendo na lei para atender solicitações da PGE, Auditoria, Tribunal de Contas. Por exemplo, não temos assessoria jurídica. Está sendo criada. O Adilton Sachetti [ex-presidente da Agecopa] era um ordenador isolado. Então, se forem seis, a ordenança será de dois. Se forem sete, a ordenança será de três. Não vai ficar concentrado em apenas um diretor. Com esses percalços que aconteceram acabamos identificando pontos que podem ser melhorados. Esses pontos estão sendo colocados nessa nova estrutura com relação a nomeação e exoneração. Vai dar mais agilidade.

Como serão feitas as desapropriações para as obras de mobilidade?

Foi constituído um grupo de desapropriação na Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) só para cuidar das obras da Copa, com a Procuradoria Geral do Estado. O que a gente não sabe ainda é o montante. Mas estou tranquilo porque começamos a Copa com R$ 1 bilhão, depois vieram R$ 454 milhões dos BRTs, R$ 364 milhões do Dnit para os corredores e, por último, R$ 402 milhões para a Arena Pantanal e seu entorno. As desapropriações vou tirar do R$ 1 bilhão do estado.

Qual o orçamento da Agecopa para 2011?

O orçamento é de R$ 781 milhões sendo que R$ 250 milhões são do estado e o restante de financiamentos. O governo estabeleceu a Copa como prioridade.
Também houve negociação com deputados federais. Eles prometeram recursos para a Copa?
Os deputados prometeram dinheiro para a Copa. Apresentamos os projetos a eles. O presidente do Congresso entrou em contato com o governador e disse que há um recurso da ordem de R$ 900 milhões no orçamento do ano que vem e vai ser dividido entre as 12 cidades-sede, não sei se por igual ou proporcionalmente.

O governo reclama da Infraero dos atrasos na obra do aeroporto. Como está a situação?

O superintendente da Infraero disse que já lançou um edital de licitação. Tinha falado que o término da obra seria em julho de 2013, mas adiantou o prazo para dezembro de 2012. Só que para sediar a Copa das Confederações, o aeroporto tem que estar pronto em dezembro de 2012, e não terminando. Precisa apertar um pouco esse passo.

Quais as outras preocupações de Mato Grosso em relação à Copa?

Um ponto é a segurança pública, que não depende da Agecopa. O Carlos Brito [diretor de Infraestrutura] coordenou um trabalho junto com a Segurança Pública e o Comitê Organizador Local (COL) e pediu para usar essa matriz de segurança pública como referência para as outras cidades. Outro ponto é a saúde, que é um problema. Não é só construir leitos hospitalares para atender o que o estado prometeu para a Fifa. Ainda tem a segurança alimentar e a dengue. Vai ter a Copa, mas o turista pode não vir. O quarto ponto que nos preocupa é o voluntariado. Não adianta investir tanto em arena, mobilidade, se as pessoas não forem bem recebidas. O que queremos com a Copa é o grande legado do turista, que precisa ser bem recebido para quando for embora dizer que é bonito, que vale visitar. Teremos um centro de qualificação de voluntariado.

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