Além do trabalho preventivo e ostensivo, o Regimento de Policiamento Montado (RPMon) da Polícia Militar trabalha, desde 2014, com o projeto social de equoterapia, em parceria com a Sociedade Hípica Cuiabana, voltado para pessoas que possuem deficiência física ou mental. 

A equoterapia é um recurso terapêutico realizado com a utilização de cavalos em uma abordagem multidisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, e serve para complementar o tratamento de indivíduos com necessidades especiais como a síndrome de Down, paralisia cerebral, derrame, esclerose múltipla, hiperatividade, autismo, crianças muito agitadas ou com dificuldade de concentração. As sessões são individuais e têm a duração de uma hora semanal. 

Atualmente 12 crianças foram indicadas por médicos, pela Apae e Secretaria de Saúde, para tratamento com a equoterapia. O projeto conta com uma equipe de fisioterapeuta, psicólogo e um policial instrutor de equitação, além da parceria com a Sociedade Hípica Cuiabana. 

A sessão inicia-se com a escolha do cavalo pela hipoterapeuta e posterior processo de intervenção. Após a sessão individual é feita a limpeza, alimentação e troca de afetos com o cavalo, o que irá permitir e contribuir para o início ou melhoramento do processo de socialização. 

De acordo com o comandante do Regimento Montado, tenente-coronel PM Alberto de Barros Neves, o Regimento conta com 32 cavalos treinados para todos os tipo de atividade. “Estamos trabalhando principalmente com crianças e utilizamos o cavalo como instrumento da qualidade de vida desse praticante. O Regimento de Policiamento Montado junto com a Sociedade Hípica Cuiabana, oferece essa oportunidade, principalmente para aqueles que não podem pagar pelo tratamento”, explicou. 

Na execução de uma sessão de equoterapia é preciso uma equipe mínima que pode variar de acordo com o diagnóstico dado pelo médico. A equoterapia oferece um amplo campo de atuação, como: fisioterapeuta, fonoaudiólogo, instrutor de equitação, médico pedagogo, psicólogo, professor de educação física e terapeuta ocupacional. "Qualquer um destes profissionais pode atuar na equoterapia, desde que possua um curso específico para essa ocupação”, disse o tenente-coronel. 

Os animais podem contribuir para melhorar o humor e a vida das pessoas e a equoterapia vai além. Deficiências motoras e intelectuais também podem ser tratadas, segundo a psicóloga Ana Rita Leite Rodrigues. “A psicologia dentro do tratamento trabalha a auto confiança, a autoestima, os fatores cognitivos, sensoriais e locomotores e tudo isso fornece uma autonomia na qualidade de vida do portador de necessidades especiais”, observou.

Ainda segundo explica a fisioterapeuta Thaíza Martins, um dos pacientes Allenken Mateus, de seis anos, chegou no projeto utilizando uma cadeira de rodas que hoje não usa mais. Para desenvolver as habilidades dos pacientes, os exercícios são realizados em contato com a natureza e os resultados são rapidamente percebidos. 

“Os principais benefícios da equoterapia são a melhora no equilíbrio e na postura, melhorias na voz e na pronúncia de palavras em função da respiração correta, o desenvolvimento da coordenação motora, estimulação da sensibilidade tátil, visual e auditiva, melhora o tônus muscular, aumento da força muscular, facilita a integração social, desenvolvimento da motricidade fina, estimulação do funcionamento dos órgãos internos, aumento da autoestima e da autoconfiança, estimulação do afeto devido ao contato com um animal, além de promover a sensação de bem-estar”, disse a fisioterapeuta. 

Para a mãe do menino, Fabiola Fabrizia de Oliveira, não só a postura melhorou como também a locomoção. “Estamos entrando para o terceiro mês de tratamento. O pescoço dele caía muito para os lados e agora já esta firmando. A coluna dele também está endireitando. Ele ainda não fala, mas já está começando a desenvolver a fala também. Não pretendo tirar meu filho tão cedo do tratamento que começou a dar resultado em tão pouco tempo”, falou a mãe do garoto.

Por: Thaís Olegário